A Ilusão da Privacidade

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Em Londres, todo e qualquer espaço público é monitorizado o tempo todo. Além do governo, as empresas privadas e proprietários de terras têm as suas próprias câmaras de vigilância, de modo a que cada ponto seja visto por todos. Na cidade mais monitorizada do mundo há uma câmara para cada 14 pessoas. Mas será que essa vigilância intensa mantém os londrinos seguros? De certa forma as ruas de Londres são perigosas, no sentido em que estão cobertas de CCTV, mas não há ninguém a vigiar

Isto é que é interessante sobre o fenómeno CCTV pois deixa de haver iniciativas como a vigilância natural. O fotógrafo Henrietta Williams e cartógrafo George Gingell mapearam um anel de aço ao redor do districto financeiro de Londres. Forjada a partir de cabeços automáticos, portões de segurança e câmaras de vigilância quem entra é registado electronicamente e qualquer comportamento fora do comum activa protocolos de segurança.

A polícia confia na segurança privada para intervir antes deles, é como se fossem uma espécie de unidade de resposta mais rápida mas por menos dinheiro. E, de facto, na maioria dos casos, as ruas do distrito financeiro foram dadas aos empreendedores para que eles pudessem aprovar a política de pedonalização completa das ruas e instalação de sistemas de defesa e vigilância contra um ataque terrorista. Os sistemas de câmaras de vigilância não são apenas umas simples câmaras. Qualquer pessoa que se comporte de forma inesperada faz disparar um alarme. Impercetivelmente, os seres humanos podem observar e avaliar o comportamento através de câmaras inteligentes sem que ninguém perceba. Se a câmara detecta um evento incomum, o suspeito/a fica marcado/a.

Um dos principais cientistas do mundo por detrás do desenvolvimento de câmaras inteligentes é o Professor James Orwell, da Universidade de Kingston. Os sistemas que estão a ser desenvolvidos pela sua equipa podem detectar actividades suspeitas, mesmo antes de um crime ocorrer. A solução é apresentar grandes volumes de dados ao longo de vários meses, talvez anos, para que desta forma se permita que o sistema desenvolva um modelo estatístico do que é normal e, talvez, o que é anormal, desta forma haverá uma sinalização de que possa ser considerado comportamento anormal.

O Professor Orwell tem monitorizado o parque de estacionamento da universidade com uma das suas novas câmaras. O sistema está a aprender padrões normais de comportamento. Quem sai, quem chega, e como eles agem. Ele é capaz de calcular o tempo que as pessoas permanecem em tal sitio, por isso pode sinalizar se há algum comportamento suspeito, por exemplo, se alguém está vadiando na área. Mas o sistema não entende perfeitamente o comportamento humano. Basta um indivíduo ficar momentaneamente no local para que o sistema assinale como um individuo potencialmente indesejável. Em locais por onde passam milhares de pessoas, é ainda mais difícil para o sistema determinar o que é um comportamento normal e o que não é.

Estarão os grandes grupos de pessoas, simplesmente a caminho do trabalho ou estarão a esconder um terrorista? De qualquer forma, as identificações imprecisas podem ter consequências graves. O problema é que qualquer pessoa suspeita de um crime no Reino Unido perde rapidamente o seu direito à privacidade e ao longo da última década, o Reino Unido tem procurado constantemente por novas maneiras de combater as ameaças contra o terrorismo.

(Top Documentary Films)

 

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